Imagem Pessoal vs Inteligência Artifical

Quando a tecnologia altera Quem Somos (ou Quem parecemos ser)

Já há muito tempo que quero vir aqui falar sobre este tema.
Sobre como a inteligência artificial anda a manipular a nossa perceção de imagem e, muitas vezes, de nós próprios.

Vejo cada vez mais pessoas a recorrerem à inteligência artificial para criarem conteúdo no digital, mas o pior é que muitas vezes alteram a sua imagem de forma a parecerem melhores (ou piores!) dependendo da perspetiva.
O resultado pode ser fascinante… ou preocupante.

Quando os filtros já não eram suficientes

Quando há uns anos os filtros invadiram o Snapchat, usávamo-los para eliminar imperfeições do rosto, como borbulhas ou olheiras. Davam aquela “ajuda” rápida para melhorar a autoestima. Hoje, o paradigma mudou.

Se os filtros já criavam pressão para sermos perfeitas, agora, com a inteligência artificial, tornámo-nos alguém que simplesmente não é real.

Mas a culpa, lamento informar, não é do programa, nem da ferramenta que gera a imagem. É nossa, por cairmos na tentação de querer melhorar algo com a facilidade de um clique.
É como as gomas ou os comprimidos para emagrecer. Melhorar o nosso estilo de vida, comer melhor, treinar, dormir bem? Nem pensar. É mais fácil tomar um comprimido e acreditar que o problema fica resolvido.

Mas isto não é de hoje. Sempre foi assim.
Lembro-me de ser miúda e ver anúncios na televisão a promover este tipo de comportamento: “Toma já este comprimido e tem o corpo com que sempre sonhaste!” Fórmulas milagrosas que, no fim, só nos deixam vazias.

Hoje temos ferramentas ao nosso dispor que nos tiram 5, 10 quilos, afinam proporções e criam uma versão de nós tão perfeita… mas irreal.

Este é daqueles temas que me chateia, porque as pessoas querem a solução rápida, sem esforço, sem sacrifício. Mas para conseguirmos atingir algo a longo prazo e com sucesso, é preciso esse esforço. É preciso caminhar muito para chegarmos à imagem ideal ou a qualquer outro objetivo que tenhamos na vida.

O espelho de todos os dias

Por outro lado, eu entendo.
A verdade é que estamos constantemente a lidar com a nossa imagem. Antes, só nos víamos ao espelho de manhã. Hoje, passamos horas em videochamadas, com a nossa cara refletida no ecrã, a observar cada detalhe e, consciente ou inconscientemente, a encontrar defeitos em tudo. Aliás, somos especialistas em encontrar defeitos no nosso corpo.

Queremos melhorar. E está tudo bem com isso. É ótimo querermos cuidar da nossa imagem e sentirmo-nos bem com o que vemos.

O problema surge quando essa vontade se transforma numa fuga da realidade e usamos a Inteligência Artificial para criar uma versão de nós que não existe. E pior, quando passamos a comunicar com uma imagem que é uma tremenda ilusão.

O risco invisível: a dismorfia corporal

Quando a linha entre o real e o artificial se apaga, existem sérios riscos a nível psicológico, emocional e até social.

A dismorfia corporal é uma das consequências mais silenciosas deste fenómeno: quando a perceção que temos do nosso corpo já não coincide com a realidade.

A tecnologia pode ajudar-nos a evoluir. Mas a verdadeira transformação acontece quando decidimos olhar para nós sem filtros, sem retoques, sem máscaras. 

E querer melhorar (se for caso disso) que seja de forma orgânica, com esforço e dedicação por nós, não através de uma ferramenta à distância de um clique. Porque não é a mim que estás a enganar, é a ti.

xoxo, naty girl

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